Migalhas

Morre Márcio Chaer, editor do ConJur e pioneiro do jornalismo jurídico

Publicado em 03/10/2026

Jornalista morreu neste sábado, em São Paulo. À frente do Consultor Jurídico desde 1997, Chaer ajudou a abrir caminho para uma nova forma de fazer e pensar a informação jurídica no Brasil.

Morreu neste sábado, 3, aos 71 anos, o jornalista Márcio Chaer , fundador e diretor do Consultor Jurídico – ConJur, um dos mais importantes veículos de informação jurídica do país.

Segundo informações, Chaer sofreu um infarto enquanto perseguia um ladrão nas proximidades da estação Armênia do Metrô, em São Paulo.

A notícia causa profunda tristeza nesta redação.

Chaer foi um dos pioneiros do jornalismo jurídico brasileiro na internet. Em 1997, criou o ConJur, numa época em que a própria rede mundial ainda engatinhava no Brasil e a ideia de um veículo inteiramente dedicado ao Judiciário e ao Direito tinha algo de aposta e muito de ousadia.

Ao longo de quase três décadas, o ConJur tornou-se referência para advogados, magistrados, integrantes do Ministério Público, estudantes, professores e jornalistas. Formou uma importante redação, reuniu articulistas de diferentes correntes de pensamento, acompanhou de perto as grandes transformações do Judiciário brasileiro e construiu, ainda, um extraordinário acervo de notícias, análises e artigos jurídicos. Vieram também os Anuários da Justiça, outra contribuição relevante à memória e à compreensão das instituições judiciais brasileiras.

Márcio Chaer estava no centro dessa construção. Era jornalista por inteiro: inquieto, curioso, combativo e dono de posições firmes.

Quem olhasse de longe para Migalhas e ConJur talvez imaginasse uma espécie de versão jurídica das antigas rivalidades entre grandes jornais. Algo como Frias e Mesquita de toga. Mas nunca foi assim.

Os dois veículos sempre foram parceiros e amigos. E este editor de Migalhas sempre teve por Márcio Chaer o maior respeito, profissional e pessoal. Foram incontáveis encontros ao longo dos anos, em Brasília, São Paulo, Lisboa e tantos outros lugares onde o mundo jurídico se reunia. O último deles, foi em São Paulo, na sexta-feira retrasada.

Aliás, em uma dessas tantas ocasiões, durante uma das edições do Fórum Jurídico de Lisboa — a já célebre "Gilmarpalooza" —, Migalhas entrevistou Chaer.

Diante das câmeras deste rotativo, ele falou de imprensa, Justiça, Lava Jato e do papel dos encontros acadêmicos no debate jurídico brasileiro.

Hoje, a conversa é outra. E muito mais difícil.

A morte de Márcio Chaer deixa uma lacuna no jornalismo jurídico brasileiro. Mas deixa também uma obra que seguirá sendo consultada todos os dias e uma geração de jornalistas que, direta ou indiretamente, aprendeu com o caminho que ele ajudou a abrir.

Migalhas manifesta seu profundo pesar e envia um abraço afetuoso à família de Márcio, aos colegas do ConJur e aos muitos amigos que ele reuniu pelo caminho — todos, afinal, também nossos amigos.

Há algo especialmente cruel na maneira como Chaer se foi. Não é preciso transformar uma tragédia em metáfora. Mas é difícil não enxergar, na derradeira coincidência, um traço do homem que conhecemos: Márcio passou a vida perseguindo notícias, histórias, ideias, debates e aquilo em que acreditava.

Partiu do mesmo modo: em movimento, indo atrás.

O jornalista sofreu um infarto enquanto perseguia um ladrão nas proximidades da estação Armênia do Metrô, em São Paulo.

Jornalista ainda reflete que, no Brasil, eventos acadêmicos estão sendo apresentados como atos de corrupção.

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