Migalhas
iFood denuncia Keeta ao Cade por suposta prática de preços predatórios
Publicado em 31/08/2026
Empresa pede abertura de processo administrativo e medida preventiva para interromper eventual oferta de serviços abaixo do custo no mercado de delivery.
O iFood apresentou representação ao Cade - Conselho Administrativo de Defesa Econômica contra a Keeta, plataforma de delivery controlada pela chinesa Meituan, por supostas práticas de preços predatórios no Brasil. A empresa também pediu a adoção de medida preventiva para interromper as condutas enquanto o caso é analisado.
Segundo o iFood, a Keeta estaria operando com prejuízo por pedido e utilizando recursos da controladora para subsidiar sua atuação no país, conquistar participação de mercado e eliminar concorrentes.
Na representação, o iFood afirma que a estratégia envolveria subsídios elevados, com cupons de até R$ 250 e descontos de até 80%.
De acordo com a empresa, esse modelo aumentaria artificialmente a frequência dos pedidos e poderia levar restaurantes a ampliar sua capacidade para atender uma demanda que não se sustentaria sem os incentivos.
O iFood sustenta ainda que uma análise econômica elaborada pela Compass Lexecon apontou perda relevante por pedido nas operações da Keeta no Brasil, financiada pelo caixa da Meituan.
Ao Cade, o iFood pediu a abertura de processo administrativo e a adoção de medida preventiva para determinar a interrupção imediata de práticas de precificação abaixo do custo.
Também requereu que o órgão tenha acesso periódico aos dados de custos e preços da plataforma para acompanhar sua atuação no mercado.
A representação se apoia no art. 36 da lei 12.529/11 . Segundo o documento, a legislação concorrencial enquadra como infração a tentativa de dominar mercado por meio de práticas predatórias.
Ao final do processo, o iFood pede que a Keeta seja condenada por violação à ordem econômica e que a conduta apontada na representação seja definitivamente interrompida.
Para sustentar o pedido, o iFood cita experiências de outros mercados em que a Keeta atua. Segundo a representação, em Hong Kong, após a plataforma alcançar mais de 50% do mercado e a saída da Deliveroo, as comissões cobradas de restaurantes teriam passado de 15% para 30% a 35% em menos de um ano.
O documento também menciona o Kuwait, onde um concorrente local teria encerrado as atividades dois meses depois da chegada da Keeta.
Para o vice-presidente jurídico do iFood, Lucas Pittioni, o Cade deve atuar antes que eventuais impactos sobre o mercado se consolidem.
“ O que o iFood pede é que o regulador garanta que a concorrência no delivery brasileiro seja disputada em condições iguais para todos ”, afirmou.
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