Migalhas
EDITORIAL - O Supremo precisa voltar a ser Supremo
Publicado em 11/09/2026
Em momento de rara tensão institucional, Migalhas pede ordem, serenidade e autoridade ao STF diante da sucessão de movimentos individuais entre seus ministros.
Em momentos ordinários, jornais opinam. Em momentos extraordinários, têm também o dever de marcar posição.
Diante da gravidade dos acontecimentos que cercam o Supremo Tribunal Federal, Migalhas publica, excepcionalmente, o editorial abaixo.
Não para tomar partido entre ministros, mas para defender aquilo que deve estar acima de todos eles: a própria instituição.
Há horas em que uma instituição precisa lembrar que é uma instituição.
O que se vê nesta sexta-feira no Supremo já ultrapassa os limites da divergência jurídica. Ministros requerem providências à Presidência, contestam colegas, pedem acesso a documentos, reunião de processos, mudança de pauta, adiamento de sessão. Ofícios cruzam a Praça dos Três Poderes como petições de advogados às vésperas de uma audiência.
O Supremo Tribunal Federal não é um condomínio de gabinetes soberanos, muito menos uma banca de advocacia em que cada sócio apresenta sua peça para defender a própria posição. Ministro não pode advogar a própria causa. E a maior Corte do país não pode administrar uma crise dessa dimensão como um litígio entre partes hostis.
A história do Supremo conhece tempos muito mais sombrios. No Estado Novo, tentaram submetê-lo ao Executivo. Em 1969, três ministros foram arrancados da Corte pela força do regime. Eram agressões vindas de fora. Seria uma amarga ironia que, em plena democracia, a autoridade do Tribunal começasse a se desfazer por dentro.
Hamilton ensinava que o Judiciário não dispõe nem da espada nem do cofre. Sua força está na autoridade de seus julgamentos. E autoridade é uma forma delicadíssima de confiança.
Serenidade, agora, não significa tibieza. Exige firmeza.
Nada deve ser abafado. O que tiver de ser investigado, que o seja. Mas transparência não pode virar munição; sigilo não pode servir de escudo; pauta não pode ser arma; processo não pode ser revanche; e o Plenário não pode transformar-se em arena.
Basta de decisões que se atropelam. Basta de ofícios cruzados. Basta de ministros litigando publicamente uns contra os outros.
Mendonça informou que celular original está com a PF e que recebeu apenas cópia lacrada dos dados; Zanin diz que material deve ser compartilhado com demais ministros.
Alexandre afirma que documentos seguem inacessíveis aos gabinetes e cobra acesso integral a 18 petições e 180 peças antes do julgamento de terça-feira.
Gilmar afirma que a Pet 16.662 ainda não tem objeto, rito e investigados claramente definidos e defende que os casos sejam reunidos e instruídos antes de irem a julgamento.
Ministro contestou alegação de que 180 documentos ficaram de fora da divulgação e afirmou que todas as peças disponíveis foram publicizadas.
Celular original está sob custódia da PF, enquanto gabinete recebeu HD criptografado com dados extraídos do aparelho.
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